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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Nós somos os alienígenas: como estamos mandando bactérias para fora da Terra?



É possível que a vida como conhecemos em nosso planeta seja resultado do choque de um asteroide carregado de micro-organismos com a Terra, de modo que estes micróbios encontraram aqui o ambiente perfeito para se desenvolverem.

Possível, mas nada provável, como explica o pesquisador do departamento de astrobiologia do Instituto de Astronomia, Astrofísica e Ciências Atmosféricas da USP, Douglas Galante. “Não há nenhuma evidência de que isso já tenha acontecido em qualquer planeta”, afirma.
Por outro lado, atualmente, é possível que sejamos nós que estamos mandando essas bactérias para fora daqui. Como? A teoria da panspermia explica.

O que diz a teoria da panspermia?

Panspermia é o termo científico para a teoria de que corpos celestes vagam pelo universo trazendo consigo formas de vida primitivas que, eventualmente, podem colonizar planetas ou satélites.
Aqui, na Terra, esta hipótese é descartada pela grande maioria da comunidade científica, que acredita na Teoria da Evolução, de Charles Darwin, como explicação para o surgimento da vida. Hoje, pelo contrário, somos nós, terráqueos, que estamos levando material orgânico para outros lugares do universo.

Nós somos os alienígenas

A vida na Terra muito provavelmente não começou através da panspermia. Mas é possível que a vida em outros planetas ou satélites tenha início por nossa culpa.
Sempre que mandamos sondas ou foguetes para Lua, Marte ou qualquer outro destino, as máquinas são esterilizadas. Acontece que, por melhor que seja o processo, a esterilização não é 100% eficiente. A sonda que opera no solo de Marte, inclusive, levou até o planeta vizinho cerca de 500 mil células de bactérias vivas, estima-se.

“Nós já estamos fazendo a panspermia. Nossas sondas carregam formas de micro-organismos até Marte ou até a Lua. Ou seja, a gente é, também, o alienígena”, diz Galante.
O raro evento que culminou na extinção dos dinossauros, explica o pesquisador, pode ter sido um gatilho para que organismos da Terra tenham se espalhado pelo sistema solar. “Foi um processo espontâneo que ejetou pedaços da Terra para fora da atmosfera. Esses pedaços podem ter levado microorganismos”, diz.
É improvável, contudo, que isso seja possível em distâncias muito grandes. Mesmo após encontrarmos condições compatíveis com a presença de vida em Enceladus, uma lua de Saturno, seria muito difícil levar organismos vivos até lá. “Conforme avançam em distâncias maiores, as células diluem. Se chegar uma ou outra célula até Saturno, não terá mais condições ideais”, explica o pesquisador.
Conforme o protocolo de proteção planetária, células vivas não devem ser levadas deliberadamente para ambientes virgens. Este acordo internacional protege espaços como Marte, ou mesmo a Antártida, da interferência humana, com objetivo de preservar a qualidade das pesquisas.

Como acontece a panspermia?

Para a panspermia se concretizar, o asteroide que carrega as células vivas passa por processos muito violentos. É preciso que o corpo rochoso resista e, claro, o material biológico também.

Primeiro, que a rocha só é ejetada de seu planeta ou satélite após um choque de outro asteroide. Depois, este corpo celeste vaga sem rumo por milhões de anos pelo espaço. Por fim, o meteorito precisa resistir à entrada de uma atmosfera (caso tenha uma, como a Terra) e ao impacto do encontro com o solo deste corpo.
Nos últimos 40 anos, a hipótese da panspermia passou a ser trabalhada por departamentos científicos consagrados, como a Nasa. Em 1996, um controverso estudo publicado na revista Science afirmou que o meteorito ALH 84001, encontrado na Antártida 12 anos antes, trouxe de Marte fósseis de micobactérias. O impacto foi tanto, que o trabalho foi divulgado em entrevista coletiva pelo seu realizador, David McKay, e pelo então presidente dos EUA, Bill Clinton.
Embora o estudo tenha sido desacreditado por questões metodológicas, a possibilidade da panspermia recebeu os holofotes da comunidade científica. Foram realizados, então, diversos testes para saber se formas de vida microscópica resistiriam ao impacto de um choque entre asteroides e a uma viagem de milhões de anos pelo espaço. Na Russia, um experimento testou se as microbactérias suportariam o impacto de atravessar a atmosfera terrestre e colidir com o solo rochoso.
O resultado? “O teste mostrou que eram capazes de sobreviver a essas condições. Entende-se que o processo de panspermia parece ser possível”, analisa Galante.

Viagem intergalática: é possível ir mais longe?


A possibilidade é tratada como real se levarmos em consideração o transporte dentro de um mesmo sistema intergalático, ou mesmo interestelar.
O caso do recém-descoberto sistema estelar Trappist-1 é um exemplo de condição na qual a pequena distância entre os planetas pode ser um fator propício para a panspermia. Há três planetas em zona habitável, com água e condições de desenvolvimento de vida. “Se a atividade biológica surgir em um deles, haveria uma boa chance de contagiar os demais”, especula Galante.

Imaginar isso na Via Láctea, contudo, parece impossível. Uma viagem para a estrela mais próxima em nossa mesma galáxia, no foguete mais rápido que já produzimos, levaria pelo menos 30 mil anos. Em um asteroide, seriam bilhões de anos.
“De forma natural, é muito pouco provável. Em escala galáctica, precisa ter tecnologia, precisa existir uma civilização com vida inteligente”, conclui o pesquisador.

Tese diz que ETs mandaram material genético para cá de propósito

Há fortes evidências de que a panspermia possa ocorrer espontaneamente. Mas, e de forma artificial, dirigida por uma vida inteligente? Pouca gente acredita nisso, mas alguns poucos cientistas trabalham seriamente para demonstrar esta tese.
Em 2015, foi encontrada na atmosfera terrestre uma esfera metálica de titânio com diâmetro de um fio de cabelo que estaria carregando material genético. O estudo que afirma que tal material foi enviado por um modo de vida inteligente e extraterrestre foi desenvolvido pelo professor Milton Wainwright, do Centro de Astrobiologia da Universidade de Birmingham, um dos defensores da teoria, e publicado no Journal of Cosmology, também partidário da panspermia dirigida.
A tese já foi ensaiada por nomes importantes da ciência contemporânea, como o físico pop Carl Sagan, o biólogo premiado com Nobel Francis Crick e o astrônomo da Universidade de Buckingham Chandra Wickramasinghe. Todos eles sondam a ideia de que a própria Terra teria sido semeada por vida alienígena inteligente.
“Hoje, a maioria acredita que, pelos modelos científicos conhecidos, não seria necessária essa intervenção extraplanetária. Há mais crenças pessoais de alguns pesquisadores, que as tentam encaixar nos jargões científicos”, analisa Galante.

“Primeiro, precisamos de um fato que mostre um tipo de vida extraterrestre”.
ESCRITO POR LUIZ FELIPE SILVA
Fonte

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