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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Araucária já foi a terra da ave do terror, revela estudo da UFPR


A UNiversidade Federal do Paraná (UFPR) voltou a ser destaque em publicações científicas internacionais, desta vez na área da Evolução dos Mamíferos. O Journal of Mammalian Evolution, uma das mais conceituadas revistas internacionais sobre o tema, veiculou artigo escrito por professores-pesquisadores da UFPR – em coautoria com especialistas de outras instituições – que aborda a existência de fósseis de uma fauna extinta entre 42 e 39 milhões de anos. Estes fósseis foram encontrados em rochas da formação geológica Guabirotuba, situada nos arredores de Curitiba e de Araucária. Entre os achados, a ave do terror, um dos maiores predadores da época.

Trata-se de uma das mais importantes descobertas para o conhecimento do Paleógeno brasileiro por esclarecer aspectos sobre a origem e diversificação dos mamíferos sul-americanos. Por este motivo, os pesquisadores estão debatendo com a Prefeitura de Curitiba a forma mais adequada de preservação deste sítio, para que seja garantida a continuidade e a qualidade das pesquisas.

Dentre os marsupiais (parentes dos atuais gambás, cuícas e cangurus) achados pelos pesquisadores, estão fósseis de três gêneros extintos (sparassodontes), que eram predadores carnívoros, dotados de molares cortantes e grandes dentes caninos; alguns atingiram o porte de uma onça. Foram encontrados ainda marsupiais pequenos, que não ultrapassavam o tamanho de um camundongo, e fósseis de aves gigantes predadoras conhecidas como “aves do terror” (Phorusrhacidae), que possivelmente são as mais antigas registradas para a América do Sul. Elas não voavam, eram dotadas de cabeça grande e alguns de seus parentes atingiram dois metros de altura.

Dentre os vertebrados, foram encontrados fósseis de peixes, anfíbios, tartarugas e parentes dos crocodilomorfos, que atingiram mais de três metros de comprimento e eram formas terrestres predadoras. Também foram encontrados alguns invertebrados. Outros animais eram completamente desconhecidos, como uma nova espécie extinta de tatu primitivo, o Proeocoleophorus carlinii, descrita no artigo. Este tatu provavelmente atingiu o tamanho de um tatu canastra, o maior tatu vivente.

Os autores
Da esquerda para a direita: os professores Davi Silva, Eliseu Dias e Fernando Sedor. Imagem: Fernando Sedor/UFPR.
O artigo foi escrito pelos pesquisadores da UFPR Fernando A. Sedor (do Museu de Ciências Naturais/Setor de Ciências Biológicas), Luiz Fernandes e Renata Cunha (do Departamento de Geologia) e ainda por docentes de outras instituições: Edison Oliveira (Departamento de Geologia da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE), David Silva (Programa de Pós-graduação em Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS), Ana Ribeiro (da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul – FZRS) e Eliseu Dias (Universidade do Centro Oeste do Paraná – Unioeste).

Fernando Sedor e Eliseu Vieira Dias coordenaram a equipe que fez os estudos sobre estes fósseis – uma fauna formada por invertebrados, peixes, anfíbios, répteis e mamíferos. A área onde eles foram encontrados é conhecida há mais de duas décadas e tem sido usada para aulas de geologia, mas somente em 2010 foi encontrado o primeiro fóssil de vertebrado – um dente de crocodilomorfo (parente dos jacarés e crocodilos atuais).

Mais tarde, no mesmo local, os pesquisadores localizaram uma grande variedade de fósseis. Isto levou-os a desenvolver um projeto financiado pelo CNPq com a colaboração dos especialistas em marsupiais e xenartros Edison Vicente de Oliveira (da UFPE) e em ungulados David Dias da Silva (da UFGRS) e Ana Maria Ribeiro (FZBRS). Além deles, participaram o geólogo Luiz Fernandes e sua aluna e ilustradora Renata Cunha.

Pesquisa relevante
Fragmento de mandíbula de marsupial encontrado no Guabirotuba. Imagem: Fernando Sedor/UFPR.
Sedor explica que o estudo é importante porque no Brasil, até então, só haviam sido encontrados fósseis mamíferos continentais do Paleógeno em Itaboraí (RJ) e em Taubaté (SP). Os fósseis de mamíferos encontrados em Curitiba, na Formação Guabirotuba, apresentam semelhanças com outros encontrados na região patagônica argentina (Gran Barranca), que também viveram no Paleógeno, entre 42- 39 milhões de anos – idade chamada Barrancano. É o caso de um tatu primitivo chamado Utaetus e de alguns marsupiais sparassodontes.

Quando a América do Sul se separou da África e da Antartida, ficou isolada como um “continente-ilha” por quase 60 milhões de anos. Isto propiciou o surgimento de uma fauna peculiar, produto dos invasores que haviam chegado antes do isolamento e da evolução de novas formas “nativas” (endêmicas) da América do Sul. De acordo com ele, provavelmente o clima de Curitiba naquela época já tinha predomínio de condições úmidas, porém com alternância de períodos secos. A presença das tartarugas aquáticas indica condições mais úmidas do que o proposto anteriormente por outros autores para esta época.

A idade da Formação Guabirotuba tem sido historicamente um tema controverso devido à falta de dados cronológicos precisos. Assim, ao longo do tempo, já foram atribuídas idades do Oligoceno (56 milhões de anos) ao Pleistoceno (último milhão de anos) para esta formação. Os resultados desta pesquisa permitiram uma datação mais refinada, estabelecendo a idade entre 42 a 39 milhões de anos (Eoceno). Em termos cronológicos, os fósseis de Curitiba representam um intervalo de idade que até então não era registrada para o Brasil.


UFPR


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