Seguidores

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Viúva diz que teve premonição antes da morte de Nelson Xavier

Velório acontece no Caju, na Zona Portuária, na manhã desta quinta (11). A cremação será à tarde, numa cerimônia reservada à família.


O corpo do ator Nelson Xavier é velado na Capela 1 do Cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio, na manhã desta quinta (11). O corpo será cremado à tarde em cerimônia reservada à família.
Mulher de Nelson A viúva de Nelson Xavier, a atriz, cantora e bailarina Via Negromonte contou que o ator há 14 anos lidava com um câncer e que há 13 anos fazia quimioterapia, mas nunca quis que as pessoas percebessem que ele estava doente. Nos últimos oito anos a doença tinha se agravado e há 2 anos ele estava bastante debilitado.
"Como tratamento convencional já não dava mais resultados, fomos para Uberlândia onde ele fazia um tratamento de recuperação do corpo. Estávamos nos mudando para lá, quando há quatro dia a situação se agravou muito. Tive inclusive uma premonição. Quando chegamos em Uberlândia ele disse: 'Chegamos ao paraíso do céu azul de Uberlândia'. Ali senti a despedida", disse Via.

A viúva contou que o ator, que era ateu, mas que depois de encenar o líder espiritual Chico Xavier passou a acreditar e buscar a evolução espiritual. "Brincávamos dizendo que, apesar de tudo a humanidade caminha. Ele jamais abriu mão da dignidade, da humildade. Ele foi grandioso", contou a viúva. Ela destacou também que embora eles tivessem combinado de ele ser cremado com um terno que ganhou da irmão de Chico Xavier- e que usou como um dos figurinos no filme sobre o médium- acabou acontecendo um desencontro. "A nossa mudança estava chegando em Uberlândia, a gente já estava voltando pra o enterro aqui no Rio. Então, ele não vai ser cremado com o terno do Chico. Acho que era para que eu guardasse a lembrança comigo", disse Via Negromonte.
O ator Othon Bastos, que trabalhou com Xavier em "Os deuses e os mortos", disse que a amizade é o que vai ficar pra sempre em seu coração. "Isso não é um adeus, é um até logo. Ele e te uma pessoa linda, maravilhosa. A amizade vai ficar no coração".
O filho Pedro Henrique Cabizuca Filho de Xavier disse que o traço mais marcante do pai era a inteligência. "Ele era realmente muito inteligente, conversava sobre todos os assuntos, era muito muito inteligente. É teimoso também", disse o filho que convivendo com o ator acabou seguindo também a carreira artística.
Tereza Xavier, atriz e filha de Nelson Xavier, foi uma da primeiras a chegar ao local, pouco antes das 9h. Segundo ela, o que fica como ensinamento são: a disciplina, a integridade e a persistência do pai. Eles não tiveram oportunidade de atuar juntos, mas Tereza foi dirigida pelo pai na peça "Lembrar e resisti", em São Paulo. "Ele ajudava comentava, era muito gostoso, mas nunca atuamos juntos. Mas dividíamos muitas coisas," disse Tereza, destacando que o último filme de Nelson "Comeback" lhe deu seu último prêmio, no Festival do Rio.

Nelson Xavier, de 75 anos, morreu na madrugada desta quarta em um hospital de Uberlândia. O artista nasceu em São Paulo, mas viveu boa parte de sua vida na capital fluminense.
O diretor Erico Rassi, que dirigiu o último filme protagonizado por Nelson Xavier, -"Comeback" - disse que foi um privilégio trabalhar com o ator e poder aprender com a experiência dele. O filme de estreia de Rassi foi rodado no interior de Goiás, em 2013, quando o ator já estava doente. Com a personagem, Nelson Xavier ganhou prêmio de melhor ator no Festival do Rio.
"Ele interpretou um pistoleiro aposentado que queria voltar à ativa e reviver seus momentos de glória, mas não era bem sucedidos. Filmou com a gente durante quatro semana, com cenas que exigiam até certo esforço físico. Trabalhar com ele foi como se eu fosse um treinador iniciante dirigindo um craque, o Pelé. Ele fazia muito bem esses tipos do interior, bem brasileiros", disse o diretor.

O corpo do ator deixou Uberlândia (MG) no início da tarde desta quarta-feira (10) e chegou ao aeroporto Santos Dumont por volta das 17h30.
Em 2014, durante o Festival de Gramado, Nelson Xavier contou que fez tratamento contra o câncer de próstata em 2004 e que estava livre da doença. Foi lá também que recebeu o prêmio de melhor ator com "A despedida", um de seus últimos trabalhos.
Nelson Xavier já vinha sendo tratado em uma clínica de geriatria na cidade, prestadora de serviço do Hospital Santa Genoveva. Segundo informações do hospital ao G1, ele deu entrada nesta terça-feira (9), às 10h57 e, em seguida, transferido para um quarto particular. A morte, por volta das 0h45, ocorreu após o agravamento de uma doença pulmonar.
"O ator faleceu próximo a amigos e familiares. Estava com o semblante sereno", disse o o médico geriatra Tiago Ferolla.

Perfil
Nelson Agostini Xavier nasceu em São Paulo, em 30 de agosto de 1941. Chegou a cursar Direito, mas a paixão pelo cinema mudo o estimulou a mudar de profissão. Nos anos 1950, entrou para a Escola de Artes Dramáticas da Universidade de São Paulo e também para o Teatro de Arena – um dos mais importantes grupos de artes cênicas daquela época.
Atuou, então, em suas primeiras peças, entre elas "Eles não usam black-tie" (1958), de Gianfrancesco Guarnieri, "Chapetuba Futebol Clube" (1959), de Oduvaldo Vianna Filho, "Gente como a gente" (1959), de Roberto Freire, e "Julgamento em Novo Sol" (1962), de Augusto Boal.
Nelson era tímido e chegou a acreditar que não tinha vocação para as artes dramáticas, queria trabalhar atrás das câmeras. “Eu tive muita dificuldade em começar a fazer televisão. As máquinas eram enormes, eu tinha pavor, até tremia”, contou ao site Memória Globo. Nessa época, também foi jornalista. Com o diretor Eduardo Coutinho, trabalhou como revisor na revista "Visão", onde passou a colaborar também como crítico de cinema e teatro.

Cinema e TV
Após o golpe militar de 1964, que intensificou a censura ao teatro político, o ator passou a estar mais presente no cinema. Até o fim dos anos 70, fez mais de 20 filmes, entre eles "O ABC do amor" (1967), de Eduardo Coutinho, Rodolfo Kuhn e Helvio Soto, "É Simonal" (1970) e "A culpa" (1972), de Domingos de Oliveira; "Dona Flor e seus dois maridos" (1976), de Bruno Barreto, e "A queda" (1978), de Ruy Guerra, que lhe rendeu um Urso de Prata no Festival de Berlim.
Sua primeira participação na TV foi como o personagem Zorba, na novela "Sangue e areia" (1967), de Janete Clair. Seis anos depois, conseguiu seu primeiro grande papel, em "João da Silva" (1973). Mas foi em 1982 que viveu um de seus principais protagonistas, na primeira minissérie da Globo, "Lampião e Maria Bonita", dirigida por Paulo Afonso Grisolli e baseada nos últimos seis meses de vida de Virgulino Ferreira da Silva.
Na Bahia, gravou a minissérie "O pagador de promessas" (1988), dirigida por Tizuka Yamasaki, com autoria de Dias Gomes. Na trama, interpretou o gigolô Bonitão, que tentava seduzir a mocinha Rosa (Denise Milfont). Nelson também fez novelas, entre elas "Pedra sobre pedra" (1992), "Irmãos coragem" (1995), "Senhora do destino" (2004) e "Babilônia" (2015).
Em 2010, Nelson interpretou Chico Xavier nos cinemas. Na época, o ator afirmou que havia vivido ali seu melhor papel. "Finalmente fiz o meu maior papel. Fui invadido por uma onda de amor tão forte, tão intensa, que levava às lágrimas”, contou Nelson Xavier, que no longa viveu o líder espírita dos 59 aos 65 anos. “Nenhum dos personagens que fiz mudou minha vida. O Chico fez uma revolução”.

Fonte G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Curta nossa Página...
Visite nosso parceiro:
Conheça nosso Parceiro: UNIVERSO CÉTICO