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sábado, 27 de maio de 2017

Multidão mata 7 após notícia falsa de sequestros de crianças na Índia... ::UC::


Moradores de vilarejo observam o enterro de Abu Hanif, 16, e Reaz Uddin, 18, espancados até a morte por suposto roubo de vacas em Naramari, na Índia

O vídeo, amplamente distribuído nas mídias sociais na Índia, mostra um homem no chão, pedindo pela vida antes que uma multidão o espanque até a morte. Ele foi um de sete homens mortos em dois ataques de multidões no centro da Índia, semana passada. Em alguns momentos, policiais apenas olhavam.

Os ataques foram incitados por rumores espalhados pelo WhatsApp de que estranhos estariam sequestrando crianças. As histórias se mostraram falsas.

"Nenhum caso de sequestro de criança foi registrado nessa área",
afirmou Shrikant Khotre, superintendente assistente da polícia em Ghatsila, onde uma das vítimas morava.

A polícia ainda está investigando quem está por trás da disseminação das mensagens no WhatsApp.

Em março, uma multidão atacou dois estudantes nigerianos nas proximidades de Nova Délhi depois de rumores sem fundamento de que africanos haviam vendido drogas a um aluno indiano que depois morreu de overdose.

Em abril, um homem muçulmano de 55 anos foi morto no Estado de Rajasthan após ser atacado por uma multidão de cerca de 200 hindus que acreditavam que ele estava levando vacas para o abatedouro (vacas são sagradas para o Hinduísmo).


Neste mês, uma pessoa morreu e 16 ficaram feridas em Uttar Pradesh quando uma comunidade Dalit entrou em confronto com outro grupo.

Analistas e autoridades afirmam que a violência coletiva vem de uma série de problemas com a polícia e o judiciário. A Índia tem um número baixo de policiais per capita, e aqueles no trabalho são normalmente mal treinados, amadores e corruptos. A moral é baixa graças aos baixos salários, às longas jornadas de trabalho e à falta de férias.

O sistema judicial está em permanente crise no país, com mais de 40% das vagas de juízes em altas cortes sem preenchimento. Isso produziu um enorme acúmulo de casos, levando a grandes atrasos durante os quais testemunhas podem morrer, fugir ou simplesmente desaparecer.

Justiça pelas próprias mãos
Os problemas convenceram muitos indianos, particularmente os pobres e analfabetos, que eles só terão alguma justiça se a fizerem pelas próprias mãos. 

Em uma entrevista, Uttam Verma, um sobrevivente de um dos ataques da semana passada, relatou os terríveis eventos.

Verma contou que ele e seu irmão mais novo, Vikas, haviam chegado de moto ao vilarejo de Nagadih, nos arredores Jamshedpur, onde vivem. Eles estavam procurando um pedaço de terra onde começar um negócio de fossas sépticas.

"No vilarejo, a rua estava obstruída por um cano, e os moradores estavam armados com arcos e flechas, machados e espadas", disse Verma.

Verma tentou voltar atrás, mas o irmão insistiu em continuar.

Um grupo de moradores os parou e acusou de serem sequestradores de crianças, disse Verma, exigindo ver a identidade dos irmãos. Verma tinha a sua, mas Vikas não.

Os dois ligaram para casa, e outro irmão, Gautam, a avó, e um amigo, Gangesh Gupta, foram para o local. Não demorou para que o grupo começasse a ser atacado com tijolos, pedras e espadas, disse Verma.

"Nós simplesmente não conseguíamos entender o que estava acontecendo", disse. 

"As pessoas começaram a sair de suas casas, e a multidão ia crescendo." 

Segundo Verma, policiais chegaram, mas não fizeram nada para ajudar.

"Um policial disse: 'Eles são ladrões de crianças? Vamos colocá-los no carro e leválos'", disse Verma.

Verma escapou, mas os demais não.

"A última coisa que vi dos meus irmãos foi seus corpos", disse, chorando. A avó está no hospital, se recuperando dos ferimentos.
Radhey Shyam Gupta, 38, tio de Gangesh Gupta, também morto no ataque, se disse chocado com o que viu.

"O crâneo dele estava aberto, e não havia uma única parte de seu corpo que não havia sido espancada ou tivesse marcas", disse Gupta.

"A polícia foi um espectador silencioso", acrescentou.

Prashant Anand, superintendente da polícia em Jamshedpur, disse que a multidão era muito maior que o número de policiais. Ele afirmou ainda que cinco pessoas foram presas e outras 17, identificadas como suspeitas.

Geeta Anand e Suhasini Raj
Fonte

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