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domingo, 14 de maio de 2017

DIA DAS MÃES – MINHA MÃE E O GATO FEIO ::UC::

Feliz Dia das Mães!

Não sei que idade tinha. Penso que foi aos seis ou sete anos. Só me recordo que não foi muito tempo depois de eu ter entrado na escola. O Dia das Mães se aproximava e meus amigos não falavam de outra coisa. Até aí, tudo bem, pois também minha família comemorava o Dia das Mães, mas eu estranhava que eles falavam o tempo todo de comprar presentes. Aquilo para mim era novo, pois não havia em nossa casa o costume de presentes de Dia das Mães comprados.


Passei a semana pensando, achando que também tinha que comprar um presente para minha mãe, já que os demais também o faziam, mas não tinha nenhuma ideia. No sábado pela manhã, acompanhei minha mãe à feira. Passamos por uma loja perto de casa e vi um gato de porcelana “lindo”, que achei que seria o presente ideal para dar à minha mãe no dia seguinte. Vi o gato, quis comprá-lo, mas não tinha dinheiro para isso.

Ao chegar em casa, pedi dinheiro à minha mãe (sem perceber em minha ingenuidade infantil que eu queria que minha mãe pagasse seu próprio presente!). Ela queria saber para que eu queria o dinheiro e fiquei inventando desculpas (já que não queria estragar a surpresa!), até que a convenci. Ela me deu o dinheiro, fui à loja e comprei o gato, que hoje sei que era feio, pior: horroroso! Era um gato gordo, com uma barriga que mais parecia Buda e uma cabeça enorme. Mas, na época, achei o gato lindo, o gato mais lindo do mundo, pois, se não fosse assim, não o teria comprado como presente para o “dia de minha mãe”.

Entrei em casa escondido, levei o gato para o quarto e depois procurei por papel de presente. Embalei o gato em papel colorido e guardei-o cuidadosamente embaixo da cama. Fui dormir ansioso, querendo que amanhecesse logo para eu dar meu presente à minha mãe, meu primeiro presente comprado do Dia das Mães (e também o último, mas isso eu ainda não sabia naquele momento).

Dormi mal, muito inquieto, e acordei bem cedo. Fiquei na cama esperando até que minha mãe se levantou. Quando a escutei saindo do quarto, levantei todo feliz, peguei o gato e corri até ela para dar-lhe o presente. Ela o recebeu toda emocionada, agradeceu, me pegou nos braços e ficou depois olhando para aquele gato, dizendo que ele era lindo (hoje eu sei que ela estava “mentindo” 😀 O bichano era mesmo horroroso. Com certeza, ela o achava realmente lindo, mas só por ter sido um presente meu).

Depois de um tempo, ela, passando a mão em minha cabeça, me disse com carinho que ficou muito feliz com o gato, mas que eu não precisava comprar presente algum, pois ela já havia recebido o maior presente que uma mãe pode desejar: saber que seus filhos estavam bem!

Essa frase foi marcante e nunca a esqueci. Para mim, havia ficado claro que presentes comprados não eram importantes. Entendi também que uma mãe não espera retorno material dos filhos (claro que há exceções, mães que valorizam os presentes, por materialismo ou por definir assim uma demonstração de amor e carinho, mas creio que isso não vale para a maioria!). “Saber que seus filhos estão bem” é realmente o melhor presente que uma mãe pode esperar.

Entendi assim que, para deixar minha mãe feliz, eu deveria cuidar sempre de mim, de meu caminho, fazer minha parte, dando-lhe o mínimo de preocupação possível, mas não somente uma vez por ano, no Dia das Mães, mas sim todos os dias, durante o ano todo. E confesso: esforcei-me então para ser um bom aluno, tentava não fazer coisas que a preocupasse e procurei sempre dar a ela o sentimento de que estava bem encaminhado, pois sabia que isso lhe dava conforto e felicidade.

Hoje sou grato àquele gato feio, gordo e cabeçudo, meu primeiro e último presente comprado de Dia das Mães, pois, graças a ele, tive a chance de compreender que uma relação entre mãe e filhos é profunda demais para ser “recompensada” com uma coisa qualquer, comprada em supermercado ou shopping. Compreendi que não faz sentido dar à mãe um presente de Dia das Mães, por mais bonito, interessante e caro que seja, mas passar o resto do ano dando-lhe preocupações por não dar conta de cuidar da própria vida.

Minha mãe não vive mais, mas, se vivesse, não lhe compraria nada, pois sei que sua alegria seria enorme e verdadeira se eu lhe desse simplesmente um abraço, agradecesse por tudo que ela fez por mim e dissesse que estou bem, que graças a ela sou hoje um ser humano bem encaminhado na vida.


Hoje, no Dia das Mães, desejo a todas as mamães do mundo que recebam também esse abraço e o maravilhoso presente de saber que seus filhos estão bem.

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