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sexta-feira, 12 de maio de 2017

Arqueólogos procuram pelo 'navio da orgia' de Calígula

Embarcação monstruosa pode estar num pequeno lago da Itália

Visão moderna sobre o navio e seu dono | Crédito: Wikimedia Commons/Reprodução


Autoridades italianas estão atrás de um espetacular barco de mais de 120 metros de comprimento e quase 2 mil anos, criado por um capricho de um dos mais odiados governantes de Roma. 

Reinando entre 37 e 41, Caio Júlio César Augusto Germânico, mais conhecido como Calígula ("botinha"), foi o terceiro imperador. E o segundo a ser assassinado - ascendeu ao trono após matar seu antecessor, seu tio-avô Tibério, enquanto esse se tentava se recuperar de uma doença. Um completo lunático. Foi acusado de cometer incesto com cada uma das suas três irmãs, torná-las prostitutas, forçar as mulheres de seus oficiais a deitar-se com ele, matar prisioneiros ao final de orgias e transformar seu cavalo em senador. 

Talvez não seja assim, ou ao menos nem tudo assim: a história foi escrita por seus inimigos. Mas ao menos uma dessas extravagâncias foi certamente real: ele mandou construir barcos ridiculamente luxuosos. Neles, satisfaria seus apetites exóticos. Para evitar mais escândalos, os "iates" circulavam no Lago Nêmi, que fica há cerca de 30 quilômetros de Roma. Postos num laguinho de pouco mais de um quilômetro quadrado, tinham mais de 70 metros - o tamanho dos maiores navios que cruzavam oceanos na época das Grandes Navegações. 

Sabemos que eles são reais porque foram achados: foram avistados da superfície já no século 15. Muito depois, em 1931, o ditador Benito Mussolini ordenou que fosse feita uma drenagem do lago. Dois barcos foram recuperados e expostos num museu feito só para eles em Roma. Mas o incrível achado não durou muito tempo. Durante a Segunda Guerra, o  museu foi atingido pela artilharia dos EUA. Num desastre para a arqueologia, os navios acabaram incinerados. 

Mussolini, porém, pode ter feito o favor à História de deixar o mais impressionante submerso. O projeto de drenagem de 1931 teve de ser parado às pressas porque a terra em torno do lago se tornou instável, causando desabamentos. 

O que nos traz de volta ao presente. Para resolver o mistério de uma vez, as autoridades da Itália montaram uma grande busca no lago, envolvendo pesquisadores da Agência de Proteção ambiental da Calábria, mergulhadores e autoridades portuárias de Fiumicino. ''Pode parecer bizarro o fato de um grande barco ter naufragado em um pequeno lago como esse, mas o fato de ter pertencido a Calígula faz essa cena ser provável'', diz Luigi Dattola, da Agência de Proteção Ambiental da Calábria, em entrevista ao Seeker.

O que ele quer dizer com "pertencido a Calígula" é pelo fim que os barcos levaram. Numa tentativa de damnatio memoriae (remover as lembranças de alguém da História), foram afundados propositalmente após o assassinato de seu dono. Para facilitar a busca, o time de Dattola conta com a ajuda de equipamentos que conseguem detectar objetos que estejam enterrados abaixo do fundo do lago. Apesar de ter encontrado algumas anomalias que não são relacionadas ao barco, a busca ainda está num estágio preliminar. ''Caso o barco seja encontrado o mundo terá novas informações sobre as técnicas de construções navais dos Romanos'', diz Alberto Bertucci, prefeito local.  

Não é brincadeira, aliás: relatos falam desse terceiro barco tendo ridículos 120 metros de comprimento. O mundo só veria novamente embarcações tão grandes assim na metade do século 19*. É cruzar os dedos para o que pode ser um dos mais impressionantes achados deste século.

*Os navios do almirante chinês Zheng He, feitos no século 15, supostamente teriam mais de 130 metros. Mas isso é considerado improvável por boa parte dos historiadores atuais, que colocam suas medidas por volta dos 60 metros. 

Thiago Lincolins
Fonte

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