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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Aplicativos de igrejas permitem que fiéis orem, assistam ao culto e doem dinheiro sem sair de casa

Google Play e App Store têm prateleiras recheadas de conteúdo e serviço para fiéis



Editora da Igreja Universal tem um aplicativo de streaming, à la Netflix, de filmes e músicas cristãos: o Univer Vídeo Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Baixe aqui o áudio do culto. Envie o nome de alguém pedindo uma oração. Veja ao vivo a programação religiosa do nosso canal. Jogue. Visite um templo em 3D. Faça uma doação pelo cartão de crédito. Acesse o hinário para acompanhar durante o culto. Google Play e App Store têm prateleiras recheadas de conteúdo interativo, de entretenimento e de serviço para fiéis. E boa parte é produzido pelas próprias igrejas.

“Uma das missões é compartilhar o evangelho. A maioria dos apps que a gente desenvolve é para ajudar as pessoas no exercício da fé” diz Carlos Magalhães, diretor de marketing digital da Igreja Adventista.

Igrejas digitais

Magalhães está à frente da estratégia de inserir a igreja nos ambientes digitais. Ele conta que a Adventista começou a recrutar desenvolvedores de software em 2010 e, hoje, já pensa em realidade virtual. Duas equipes são responsáveis em fazer aplicativos e produtos digitais com públicos-alvo diferentes.

Sob o nome da Igreja Adventista, há 17 apps disponíveis na loja do Android; sob a Rede Novo Tempo, empresa de comunicação da igreja, são 23. Entre eles, há jogos para crianças com temática cristã, transmissão de TV e rádio e cursos bíblicos. Há um aplicativo para usar com óculos de realidade virtual para navegar por um templo 3D.

Publicidade

Segundo a igreja adventista, os apps foram baixados mais de 2,4 milhões de vezes – os da Novo Tempo representam 1,9 milhões desse total. A plataforma Android é a mais popular, mas há versões para iOS de todos os programas também.

Dos apps direcionados aos fiéis, um dos mais populares é o do Desbravadores (com mais de 178 mil instalações), para membros do clube de jovens, entre 11 e 15 anos, terem acesso a conteúdos e estudos bíblicos. O segundo é o aplicativo Pôr do Sol (103 mil), que, segundo a descrição, “traz uma meditação a cada sexta-feira, são histórias de pessoas que tiveram suas vidas transformadas pelo poder e amor de Deus”.

O nome do app não é por acaso. Os adventistas guardam o dia para ficar com a família a partir do pôr do sol de sexta-feira até o entardecer de sábado. Com o app, Bianca Lorini, 29 anos, consegue saber quando o sol se põe em qualquer lugar. “Eu só uso aplicativos, lá tem tudo. Vejo o horário do pôr do sol nele e leio um texto para fazer a meditação. É bom para quando estou em viagem e não levei a Bíblia, assim posso receber o sábado com oração.”

Roupagem nova

Luis Mauro Sá Martino, professor da Faculdade Cásper Libero, em São Paulo, e pesquisador de religião e mídia, observa que as iniciativas das igrejas sempre têm boa aceitação dos fiéis. “A sestratégias midiáticas das igrejas têm sido bem-sucedidas, nunca vi uma dar errado. Todas as vezes que as igrejas entram nesses ambientes, têm um resultado bom. O aplicativo é uma nova roupagem.”

No aplicativo da Igreja Metodista, por exemplo, fiéis podem participar de bate- papos e ganhar pontos ao participar das atividades da instituição. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem na App Store um catálogo da liturgia.

A Universal, que não quis ceder informações sobre o desenvolvimento dos seus aplicativos, também investe no registro de apps. A igreja tem dois programas cadastrados sob o seu nome na Google Play – um é chamado de Godlywood, de desafios para mulheres que incluem ler a bíblia todos os dias ou “investir no seu lado feminino”. Sob registro da Unipro, a editora da Igreja Universal, há um aplicativo de streaming, à la Netflix, de filmes e músicas cristãos: o Univer Vídeo, que custa R$ 14 por mês.

“A mensagem da igreja vai concorrer com outras que não são religiosas. O público também joga Angry Birds, também assiste TV, então esses aplicativos têm de ser tão bem feitos e atraentes quanto”, ressalta Martino.

Qualidade dos apps

A qualidade dos aplicativos assinados por essas instituições religiosas nem sempre é inquestionável. Muitos usuários, nas próprias lojas dos apps, reclamam que recursos básicos não funcionam ou trancam. Em uma dessas plataformas, com 2 mil avaliações, em que a função básica de horário deveria funcionar para cumprir sua missão, quem baixou não conseguiu utilizar. Mesmo assim, o aplicativo tinha nota 4,5 (a máxima é 5).

O tamanho e a variedade de aplicativos religiosos podem ser precisados por um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Texas A&M. Ao analisar 451 apps religiosos, eles encontraram 11 categorias diferentes que incluem aplicativos apenas para rituais, para devoção de textos sagrados, de jogos e mídias sociais.

Leque de ferramentas

Pelos aplicativos oficiais, os fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias têm à disposição um leque de ferramentas. O gerenciamento de assuntos administrativos – há um aplicativo para as lideranças enviarem os problemas e pedidos de melhoria nas igrejas –, a listagem de membros, com nome e telefone e endereço, o calendário de eventos, as lições bíblicas: tudo é acessível por diferentes apps criados pela igreja. Também dá para acessar por GPS os templos mais próximos.

A digitalização e o acesso fácil para todos os fiéis torna também mais eficiente documentar a história recente. “Tem um aplicativo de recordações em que eu posso adicionar fotos, documentos, posso fazer áudios. A minha mãe estava visitando a família e deixou um depoimento de como conheceu a igreja. Esse conteúdo fica na nuvem da igreja, atrelado a nossa família. Daqui a pouco uma outra pessoa percebe que é membro da família. Ela pode ter acesso a isso pelo celular”, exemplifica o empresário Marcus Damasceno, 39 anos.

Esses registros são uma parte importante da doutrina e da crença mórmon, assim como o conhecimento da história familiar. Hoje, a organização da árvore genealógica de cada um pode ser feita pelo aplicativo Family Search. “Sabia que talvez sejamos parentes?” questiona Vedovi, mostrando a tela do celular com as fotos de seus antepassados, para Cristiane Grahl Baptista, 43 anos, durante uma conversa dentro da capela mórmon localizada na Vila Ipiranga, em Porto Alegre.

A dona de casa aproveita para exibir uma pasta no iPhone com uma gama de apps. Atualmente, deixa a bolsa cheia de papéis e livros para as atividades de domingo em casa. No celular, acessa o hinário e as escrituras dentro da capela. Fora, aproveita as transmissões ao vivo e os conteúdos em vídeo. “Esses dias estava esperando a minha filha no colégio, então, como já estava começando a conferência, comecei a olhar pelo celular mesmo, cheguei em casa e assisti ao resto” conta Cristiane.

Além das praticidades, os aplicativos oficiais da igreja dão a segurança para os mórmons de que o conteúdo que eles estão acessando é condizente com suas crenças. Para Adriano, esses apps também tornam as doutrinas públicas, o que ajudaria a desmistificar boatos ou inverdades sobre as crenças mórmons. “Qualquer religião sofre ataques. Dificilmente alguém fora da igreja vai falar bem (na internet). Por isso, quem quiser, pode baixar o material mesmo, da própria igreja e ler tudo.”

Fonte

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