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domingo, 28 de maio de 2017

A “alucinação coletiva” do Milagre de Fátima. Explicada


A “alucinação coletiva” do Milagre de Fátima. Explicada.

70 mil pessoas viram o Sol fazer ziguezagues no céu há 100 anos. Veja o que realmente aconteceu.

(jdmcfish/iStock)

O milagre de Fátima mais conhecido é o da aparição da Virgem Maria para as crianças que foram canonizadas agora em maio. Mas existe outro, menos célebre: o da “Dança do Sol”, registrado  em 13 de outubro de 1917, alguns meses depois da aparição, por 70 mil romeiros que tinham ido para Fátima, a 130 km de Lisboa, na esperança de ver a Virgem.

Segundo a multidão, o Sol ziguezagueou pelo céu, de ponta  a ponta. Milagre? Alucinação coletiva? Antes de seguir, um aposto de Richard Dawkins, o melhor divulgador de ciência vivo: “Não é fácil explicar como 70 mil pessoas puderam compartilhar da mesma alucinação. Ainda mais difícil de aceitar, porém, é que isso tenha acontecido sem que o resto do mundo tivesse visto. Não
só visto, mas sentido, já que tal deslocamento do Sol significaria  a destruição do Sistema Solar, com direito a uma aceleração gravitacional suficiente para tragar todo mundo para o espaço sideral”.

Perfeito. Mas o milagre pode ter uma explicação que não envolva a pouco digerível ideia de alucinação coletiva. O maior consenso hoje entre cientistas e céticos e em geral é o de que os romeiros vira uma versão do fenômeno da imagem ali em cima.  Trata-se é um “parélio”. Um fenômeno raro, que só aparece a certas latitudes. Ele acontece quando a luz do Sol atravessa um cirro (um tipo de nuvem) feito de cristais de gelo. Se os cristais estiverem em posições bem específicas, eles repartem a luz solar, fazendo aparecerem “mais sóis” no céu.

Em 13 de outubro de 1917,  o céu de Fátima era um daqueles pós-chuva, com nuvens escuras esparsas. Essas nuvens escuras, mais baixas, teriam escondido dois dos “três sóis” quando o parélio começava, dando a impressão de que o Sol se deslocou instantaneamente para um canto do horizonte. A dança das nuvens pode ter continuado, encobrindo uma imagem do Sol e revelando outras, dando a impressão nítida de que quem dançava ali não eram as nuvens, mas o próprio Sol.


Mais ou menos assim:
(Sophia Fernandez/Superinteressante)

Um espetáculo bizarro, bonito, e, claro: para os 70 mil fiéis não poderia parecer outra coisa que não um sinal de intervenção divina.


Mas linda mesmo é a ciência. Que privilégio viver numa época em que mesmo um ziguezague do Sol pode ser explicado à luz da razão.


Por Alexandre Versignassi
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