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terça-feira, 11 de abril de 2017

Suposto gás sarin liberado na Síria dá sensação de “faca de fogo entrando nos pulmões”

No último dia 4 de abril, ataques aéreos que estão sendo associadas às forças repressivas do ditador Bashar al-Assad, golpearam Khan Sheikhoun, uma pequena cidade da Síria. O ataque feriu centenas de pessoas e matou mais de 80, incluindo pelo menos 30 crianças.

Pouco tempo depois do incidente, fotos, vídeos e relatos foram publicados na internet denunciando o que teria sido um ataque fora do convencional – considerando que o país enfrenta uma guerra civil que já dura cerca de seis anos e soma mais de 400 mil mortos e 5 milhões de refugiados. O bombardeiro foi associado a armas químicas, descritas como potenciais gases tóxicos que causaram sintomas de sufocamento e tremedeira nas pessoas, bem como liberação de espuma pela boca.

As imagens, que mostram mais um capítulo da devastadora crise humanitária que vive o país, também vieram acompanhadas de outras evidências que sugerem o uso de armas químicas. De acordo com informações da Associated Press, fontes norte-americanas anônimas teriam dito que as primeiras análises feitas do químico sugerem o uso de gás cloro com traços de sarin, uma substancia neurotóxica letal.

Enquanto que o gás de cloro pode ser um poderoso irritante capaz de causar estragos consideráveis no corpo humano, ele não é conhecido por ser extremamente fatal. Por outro lado, o sarin, mesmo em pequenas quantidades, pode espelhar os efeitos do agente nervoso VX – um dos venenos mais letais do mundo. O fato aqui é que enquanto os EUA culpam Bashar al-Assad e seu regime sírio apoiado pela Rússia pelo ataque, estes acusam rebeldes opositores ao governo pelo crime de guerra que está sendo considerado pela ONU como uma “violação séria dos direitos humanos”.

De onde vem o gás sarin e como ele age no corpo?
Desenvolvido em 1938 na Alemanha como um pesticida, é uma substância sintética semelhante, porém mais poderosa, aos chamados inseticidas organofosforados. Não possui cor, cheiro ou sabor enquanto em sua forma pura, sendo solúvel em água. Capaz de evaporar facilmente como gás, é tido como o mais volátil de todos os agentes nervosos. Pode afetar os seres humanos por meio da pele, olhos, pulmões, através de alimentos contaminados e roupas.

O gás já foi associado a ataques realizados durante o conflito Irã-Iraque, nos anos 1980, e ao atentado no metrô de Tóquio, que ocorreu no Japão, em 1995. Contudo, o regime sírio já foi acusado de usar diversas vezes sarin desde o início da guerra civil atual, que começou em 2011.


Sintomas – exposição moderada
– Cabeça: confusão mental, sonolência e dor de cabeça.
– Olhos: lacrimejamento, dores nos olhos, visão embaçada e pupilas pequenas.
– Boca, nariz e pulmões: tosse, salivação, corrimento nasal, respiração rápida, aperto no peito. Algumas vítimas descreveram a respiração após o ataque como uma “faca de fogo entrando no pulmão”.
– Pele: sudorese excessiva, espasmos musculares no local de contato.
– Digestão: náuseas, vômitos, dores abdominais, aumento de micção e diarreia.
– Cardiovascular: fraqueza, pressão arterial e frequência cardíaca anormais.
Exposição letal
– Convulsões;
– Perda de consciência;
– Paralisia;
– Insuficiência respiratória.

Tratamentos
Embora haja um antídoto capaz de curar o problema, ele deve ser usado rapidamente. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) recomenda que, em evidência de um ataque, as pessoas saiam da área afetada e procurem ar fresco. Eles recomendam ainda que procurem abrigo em terrenos mais altos, uma vez que o sarin é um gás mais “pesado” e fica próximo do chão.

– Remova completamente as roupas, rasgando-as se necessário;
– Para evitar contaminações adicionais, coloque as roupas em um saco, e em seguida sele com outro saco, o mais rapidamente possível;
– Lave o corpo inteiro com água e sabão;
– Lave os olhos por 10 a 15 minutos em caso de visão turva;
– Em caso de ingestão, não provoque vômito e nem beba líquidos. Procure apenas assistência médica imediatamente.
[ Business Insider ] [ Fotos: Reprodução / Business Insider / Wikimedia ]

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