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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Fogo grego: O lança-chamas da Idade Média

Arma secreta estava por trás da sobrevivência do Império Romano do Oriente

Fogo grego contra tropas árabes no Cerco de Constantinopla (717) | Crédito: Jegou / thoughtsmilitaryhistory.com
RETROTECH 
Em 677, as tropas do califa Yazid comemoravam quatro anos às portas de Constantinopla. Repetidas vezes, os invasores tentavam quebrar as defesas da cidade e, frustrados, atravessavam o Mar de Marmara para recuperarem as forças na cidade ocupada de Cízico, a 13 km da capital. Ainda que as muralhas resistissem, os árabes eram uma séria ameaça.

Os bizantinos (ou romanos, como chamavam a si próprios, ainda que falassem grego) resolveram tomar a iniciativa. Seus navios avançaram pelo mar para interceptar a frota árabe. Seus dromons eram galeras parecidas com as trirremes da antiguidade, mas sem a capacidade de destruir navios a trombadas. 

Normalmente, esses barcos portavam catapultas e arqueiros. Foi com alguma surpresa que os árabes os viram se aproximar cada vez mais, até poucos metros de distância. Então, surgiu um barulho infernal, como um trovão, e uma torrente de fogo saiu dos navios inimigos. O líquido incendiário era pegajoso, impossível de tirar da madeira e das roupas. Jogar-se ao mar não adiantava, porque ele também queimava sobre a água. A frota islâmica foi aniquilada.

Assim estreou o fogo grego, um lança-chamas medieval que atingia alvos a 15 metros e cujas chamas não eram extintas por água. Era uma arma secreta: cada fase da produção do líquido e dos lança-chamas ocorria separadamente, de forma que ninguém conhecesse o processo inteiro. Mesmo povos que conseguiram capturar navios intactos, com o combustível, não foram capazes de replicar a fórmula.

Historiadores acreditam que a base fosse petróleo, com resinas vegetais e gordura animal para tornar a mistura mais espessa, disparada de uma espécie de panela de pressão ligada a uma bomba. Nunca replicado, o fogo grego garantiu a sobrevivência do Império Romano do Oriente por quase oito séculos, até ser confrontado com outra novidade ainda mais letal: os canhões do Império Otomano.

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