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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Contra o consenso atual, historiador defende que Jesus foi apenas um mito

A tese de que Jesus Cristo nunca existiu é um prato cheio para teóricos da conspiração da internet, embora seja rejeitada pela grande maioria dos especialistas. Uma das raras obras sérias que tentam defender essa ideia, escrita pelo historiador e ativista ateu americano David Fitzgerald, acaba de chegar ao Brasil em versão eletrônica. O livro, chamado "Nailed: Dez Mitos Cristãos Que Mostram Que Jesus Nunca Sequer Existiu", manteve o trocadilho em inglês do título original ("nailed" quer dizer "pregado", literalmente, mas também pode ser usado no sentido de "resolvido", em situações como a resolução de um enigma ou problema). Ao montar a lista de dez mitos, Fitzgerald, que foi protestante antes de abraçar o ateísmo, teve como alvo principalmente as afirmações sobre os textos do Novo Testamento feitas por cristãos mais conservadores. Seu primeiro passo é mostrar que, diferentemente do que afirmam os literalistas bíblicos –ou seja, aqueles que acreditam que todos os detalhes descritos na Bíblia são fatos históricos que ocorreram literalmente–, há uma longa lista de contradições nos diferentes retratos de Jesus traçados pelos Quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Isso significa que eles provavelmente não foram escritos por testemunhas oculares da vida de Cristo, mas incorporam a visão teológica de cada autor em passagens tão importantes quanto o nascimento do Nazareno, o batismo no rio Jordão, a morte na cruz e a Ressurreição. Até aí, poucos historiadores do cristianismo primitivo achariam os argumentos dele controversos –ninguém defende, hoje em dia, que os chamados Reis Magos apareceram com presentes quando Jesus nasceu.
Ninguém ouviu falar dele Autores não cristãos do século 1º d.C. nunca teriam mencionado Jesus – as poucas menções não passariam de falsificações criadas por copistas cristãos O consenso atual: há, sim, passagens genuínas sobre Cristo na obra do cronista judeu Flávio Josefo e do historiador romano Tácito. Outros autores não falaram dele porque, no início, o impacto do cristianismo nascente foi muito modesto 
REESCREVENDO JOSEFO Fitzgerald, porém, deixa de lado o consenso entre os especialistas modernos ao argumentar que nenhum historiador contemporâneo de Jesus obteve informações independentes sobre ele, e que as poucas menções a Cristo em textos não cristãos teriam sido forjadas ou, no máximo, derivadas dos próprios seguidores do cristianismo, o que colocaria sua confiabilidade em sérias dúvidas. O mais importante desses historiadores, o judeu Flávio Josefo (37 d.C.­100 d.C.), deixou obras que, na versão que chegou até nós, citariam Jesus em dois trechos. Um deles, mais extenso, realmente foi adulterado por copistas cristãos para dar a entender que Josefo via Jesus como o Messias, mas a maioria dos historiadores afirma que, por trás da passagem alterada, é possível restaurar uma versão original que também falava de Cristo. Já Fitzgerald diz que essa passagem maior foi totalmente inventada, enquanto no trecho mais curto um personagem chamado Tiago teria recebido o apelido de "irmão de Jesus, chamado Cristo" por intervenção de copistas cristãos. Além do que vê como silêncio dos cronistas não cristãos, Fitzgerald enfatiza o silêncio do apóstolo Paulo, autor de diversas cartas a comunidades cristãs escritas entre os anos 40 e 60 do século 1º e preservadas no Novo Testamento. Paulo, de fato, quase não aborda os episódios da vida de Jesus e os ensinamentos do Nazareno, o que, para Fitzgerald, seria indício de que o Cristo no qual ele acreditava era uma figura cósmica, de origem celestial, na qual o apóstolo teria passado a acreditar por meio de revelações místicas e da análise das Escrituras judaicas (o Antigo Testamento cristão). Não teria sido, portanto, um homem de carne e osso. 

Mas as cartas do próprio Paulo não dizem que Jesus era "nascido de mulher" e "nascido da estirpe de David segundo a carne"? "Eu inverteria a sua pergunta: por que Paulo precisa mencionar isso, afinal? Você só precisa dar esse tipo de detalhe se estiver falando de um semideus. Além do mais, nesses dois casos, ele usa a palavra grega 'guenômenos', que não quer dizer 'nascido', mas algo como 'feito'. Em suas cartas, Paulo nunca usa essa palavra para se referir a um nascimento humano normal", diz Fitzgerald. "O uso desse termo incomodou tanto os antigos cristãos que há manuscritos nos quais ele foi trocado pela palavra que normalmente significa 'nascido'." Outra objeção séria às ideias dos chamados miticistas (os que defendem que Jesus foi apenas um mito, sem base numa figura histórica real) envolve o chamado critério do constrangimento. Esse critério de análise histórica propõe que ninguém em sã consciência inventaria informações potencialmente constrangedoras sobre a trajetória de uma figura muito admirada. Portanto, é razoável admitir que tais fatos realmente aconteceram. Esse critério é usado para postular que ao menos alguns fatos básicos da biografia de Jesus –a origem em Nazaré (cidadezinha insignificante), o batismo feito por João Batista (se Jesus é superior a João, por que foi batizado?) e a morte na cruz (martírio reservado a criminosos e subversivos de quinta categoria)– aconteceram mesmo. Para Fitzgerald, porém, todos esses dados são uma criação do mais antigo Evangelho, o de Marcos. "Ao contrário de nós, Marcos claramente não se sentia constrangido em relação aos elementos de sua história. Tal como Paulo, ele achou todos os elementos de que precisava nas Escrituras hebraicas, e partir deles criou a alegoria do homem fiel que foi adotado por Deus em seu batismo e foi ressuscitado e exaltado por Deus por sua obediência." 


Um comentário:

  1. Não há documentos históricos que evidencie que algum Jesus existiu.

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