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sábado, 8 de abril de 2017

As mulheres muçulmanas dispostas a fazer sexo com estranhos na esperança de salvar casamento


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A prática consiste em combinação de casamento, sexo e divórcio 'expressos', mas é condenada pela maioria dos muçulmanos
Uma investigação da BBC descobriu um grande número de websites oferecendo a mulheres muçulmanas divorciadas por decisão unilateral dos maridos uma controversa prática de reconciliação.
De acordo com uma interpretação da Sharia, o código legal e ético islâmico, o "halala" é um misto de matrimônio e divórcio-relâmpago, em que as mulheres pagam para se casar, fazer sexo e se divorciar de um outro homem para que possam voltar ao marido original, caso ambos desejem retomar a união.
A reconciliação só é possível, então, com um casamento intermediário.
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A vasta maioria dos muçulmanos, porém, é contra o halala e considera a prática uma interpretação errônea as leis islâmicas sobre divórcio.
Mas a confusão surge de outra medida controversa: o suposto direito que homens têm de se divorciar automaticamente e unilateralmente de suas mulheres se falarem a palavra "talaq" (divórcio em árabe) três vezes seguidas para suas parceiras.
Há muçulmanos que acreditam que o "triplo talaq" dissolve imediatamente um casamento islâmico. A prática é proibida na maioria dos países muçulmanos, mas ainda ocorre - inclusive em nações europeias, como o Reino Unido.
Farah, por exemplo, foi dispensada pelo marido e pais de seus filhos por meio de mensagens de texto.
"Estava em casa com as crianças e ele no trabalho. Tivemos uma discussão e ele me mandou um texto dizendo 'talaq, talaq, talaq'", contou a mulher em entrevista ao programa jornalístico Victoria Derbyshire, da BBC.
"Mostrei a mensagem para o meu pai e ele disse que meu casamento estava acabado, que não poderia voltar para meu marido."


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Interpretação da lei muçulmana leva a divórcio unilateral, 'automático' e polêmico
Farah diz ter ficado magoada, mas que amava o marido - que tinha expressado arrependimento - e queria a reconciliação. Por isso ela se interessou pelo halala: a crença é que, caso se casasse com outro homem, consumasse o matrimônio e se divorciasse, poderia voltar para ele.
Segundo a investigação da BBC, há um grande número de ofertas online do "serviço". E muitas oferecem preços equivalentes a milhares de reais pela combinação de matrimônio e divórcio, mas líderes muçulmanos, além de condenar a prática, temem que mulheres sejam financeiramente exploradas, chantageadas ou mesmo abusadas sexualmente.
"Trata-se de um casamento fajuto e que apenas busca ganhar dinheiro e enganar pessoas vulneráveis", explica Khola Hasan, do Conselho Sharia Islâmico, em Londres, organização que oferece aconselhamento para mulheres em assuntos como divórcio.
"É algo que a lei islâmica proíbe. Há outras opções, como terapia de casal. Ninguém precisa de halala, qualquer que seja o caso", acrescenta ela.
Mulher muçulmana que falou à BBC em condição de anonimato


Farah contou ter recebido pedido de divórcio do marido via mensagem de texto do celular
Desespero
Um homem oferecendo halala no Facebook disse a uma jornalista da BBC (que fingiu ser uma mulher muçulmana divorciada) que cobraria cerca de 2,5 mil libras (cerca de R$ 10 mil) pelo serviço, que incluiria uma relação sexual.
O homem contou ainda ter colegas que haviam se recusado a conceder o divórcio após prestarem o "serviço" a mulheres.
A reportagem da BBC entrou em contato com o homem depois do encontro, e ele alegou jamais ter participado de um casamento halala e que a conta no Facebook havia sido criada "de brincadeira, como parte de um experimento social".
Farah tentou encontrar homens dispostos à prática, mas acabou desistindo.
"Conhecia mulheres que tinham buscado o halala em segredo, mas acabaram usadas por meses", conta.
"Elas iam para a mesquita, onde havia um quarto em que elas tinham relações com o imã (clérigo muçulmano) ou os homens que ofereciam esse serviço. Mas eles também permitiam que outros homens fizessem sexo com elas."



Khola Hasan diz que serviços de halala exploram vulnerabilidade das mulheres em questão
Farah decidiu não reatar com o marido, mas alerta que outras mulheres na mesma situação podem estar mais desesperadas por uma solução.
"Ninguém vai entender o que algumas mulheres sentem depois de um divórcio, de muita dor. Se você me perguntasse hoje, eu jamais faria isso. Não vou dormir com ninguém para reatar com um homem. Mas naquele momento eu estava desesperada para voltar com meu marido a qualquer custo."

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