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sábado, 11 de fevereiro de 2017

O que uma explosão nuclear pode nos dizer sobre a formação da Lua

© Reprodução
Existem tantos estudos conflitantes sobre a origem da Lua que, às vezes, parece impossível acompanhar. Para algo tão próximo de nós, é impressionante o quão pouco concretas são as informações que temos sobre como a Lua foi formada. Mas um novo estudo pode esclarecer parte da confusão em torno da infância da Lua, buscando por respostas de maneira séria, mas pouco ortodoxa — com uma precipitação radioativa.


Uma equipe de pesquisadores do Scripps Institution of Oceanography, da University of California San Diego, examinou a composição do vidro de trinitita, no local de testes Trinity, no Novo México — onde a primeira bomba de plutônio foi detonada em 1945 — para encontrar paralelos entre as reações químicas nesse material e em amostras lunares. Após examinar a trinitita coletada entre 9,14 metros e 423,8 metros a partir do ponto zero, a equipe confirmou semelhanças-chave nos processos químicos entre as amostras coletadas no local e aquelas em pedras lunares previamente estudadas. As descobertas do grupo foram publicadas nesta quinta-feira (9), no Science Advances.

“(O Trinity) Tem boas amostras por várias razões”, disse ao Gizmodo o professor James Day, que conduziu o estudo. “A primeira é a geologia do local, que é composto por arenito arcoseano e, é claro, quartzo, que pode evaporar, mas também derreter.” Embora seja incomum pensar em pedras evaporando, os minerais de silicato no quartzo de fato podem vaporizar sob temperaturas extremamente altas, como aquelas que ocorrem durante um impacto gigante ou uma explosão nuclear.

Day explicou que a equipe estava especificamente analisando elementos voláteis que evaporam em altas temperaturas nas rochas do Trinity e comparando os dados com medições de amostras lunares. As amostras de rocha recuperadas mais próximas ao ponto zero estavam “secas” em relação a alguns desses elementos, incluindo o zinco. Esse não era o caso das amostras coletadas longe da área de detonação, já que essas não foram expostas a níveis tão altos de calor.

“Para ‘secar’ um corpo do tamanho da Lua, você precisa de muito calor, e o processo precisa ser muito, muito grande”, disse Day. “Então o argumento que apresentamos é que isso aconteceu durante a formação da Lua, provavelmente durante um impacto gigantesco, já que você precisa de algo muito violento e grande acontecendo para causar esse derretimento completo e a ‘secagem’ da Lua.”

Ele prosseguiu: “Ao usar as amostras de teste do Trinity, conseguimos mostrar que, de fato, esse processo ocorre. Podemos olhar para essas amostras de teste do Trinity e no processo de secagem das amostras. O que descobrimos é que elas basicamente imitam o que vemos nas amostras lunares”.

O conceito da “teoria do impacto gigante”, em que um protoplaneta colidiu com a Terra e formou a Lua, tem sido amplamente discutido desde a década de 1970. Além de ser simplesmente muito legal que consigamos encontrar evidências para dar suporte a essa teoria a partir explosões de teste nuclear, entender melhor os elementos voláteis pode nos ajudar a desvendar outros mistérios, aqui mesmo na Terra.

“Há tantos passos, porque nossa compreensão dos voláteis é muito importante”, afirmou Day. “Uma das coisas que realmente precisamos entender é por que temos água na Terra, por que temos vários voláteis, por que nosso planeta é habitável? Nós realmente não temos todas as respostas para isso, mas estamos começando a arranhar a superfície disso tudo.”

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