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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Fósseis congelados revelam segredo preocupante sobre a Antártida

A partir da descoberta de restos fossilizados deixados por minúsculas algas unicelulares chamadas diatomáceas, cientistas acreditam ter resolvido um dos mistérios mais antigos da Antártida. No entanto, a descoberta não traz boas notícias para o futuro do continente gelado, segundo informações da Science Alert.

Como estes organismos marinhos microscópicos chegaram onde estão atualmente, nos picos dos Montes Transantárticos, tem sido a fonte de vários debates científicos há mais de 30 anos. Agora, graças um novo modelo de computador, pesquisadores nos EUA descobriram evidências que sugerem que as diatomáceas foram encontradas em tão elevada altitude devido a um recuo significativo das geleiras. Logo, se isso já aconteceu antes, é bem provável que ocorra novamente.

Para o pesquisador e geólogo Reed Scherer, da Universidade Northern Illinois, “estudos como este mostram que mudanças dramáticas no nível no mar podem ocorrer em escalas de tempo humanas”.

Outros cientistas já haviam proposto duas principais hipóteses para a forma como as diatomáceas subiram mais do que um quilômetro e meio acima do nível do mar. A primeira, chamada de hipótese “dinamicista” sugere que as algas chegaram ali conforme as geleiras derreteram durante a transição de um período mais quente para um clima mais frio. O outro argumento, chamado “estabilista”, defende que os ventos fortes levaram as diatomáceas até sua posição atual.

As duas ideias tomam versões contrastantes sobre o clima da Antártica Leste: se ele de fato mudou bruscamente ou se ficou firme durante a era do Plioceno, que durou entre 5,3 milhões e 2,6 milhões de anos, quando nosso planeta ainda era 2-3°C mais quente do que é agora. Se a teoria estabilista estiver correta, as plataformas de gelo da Antártida podem ser capazes de sobreviver a um aumento acentuado da temperatura. Porém, em um cenário onde a dinamicista seja a acurada, o que é muito menos provável, a preocupação é maior, já que ela é baseada no comportamento do Planeta no passado.

Contudo, a partir do modelo computacional utilizado, os cientistas descobriram que ambas as ideias estão parcialmente corretas. Eles verificaram que ambos – deslocamento glacial e ventos fortes – contribuíram para o movimento das diatomáceas. Considerado que o deslocamento das geleiras também foi responsável, então eis que surge a má noticia: se a região for instável como o modelo sugeriu, um aumento significativo no nível do mar poderia colocar o futuro dela em risco.
O que faz este tipo de estudo relevante é a ideia de que conforme o gelo derrete, o nível do mar sobre”, disse Scherer ressaltando que as populações costeiras também sofrerão com as mudanças. O modelo feito pelos pesquisadores levou em conta as condições climáticas do período Plioceno, que os cientistas chamam de “rebote isostático”. Neste caso, a massa da Terra aumenta à medida que o gelo desaparece. A recuperação isostática que causou o recuo do gelo pode ter levado as diatomáceas mortas à superfície, de onde foram levadas para o topo das montanhas a partir da ação dos ventos.

De acordo com Scherer, podemos apenas reduzir a extensão dos danos para impedir que isso ocorra novamente no futuro. Para isso, será necessário fazer cortes nas emissões de dióxido de carbono, que pode ajudar a retardar a subida do nível do mar. No entanto, impedi-la de acontecer completamente é impossível.

Os resultados do estudo foram publicados recentemente na Nature Communications.
Science Alert ] [ Foto: Reprodução / Science Alert ]
Créditos Jornal Ciência

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