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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Os horrores esquecidos do maior campo de concentração para mulheres

Em dezembro de 1946, começavam a ser julgados por crime de guerra os acusados de serem responsáveis por Ravensbrück, o maior campo de concentração para mulheres na 2ª Guerra Mundial.

Ao todo, 38 pessoas foram julgadas, sendo que 21 delas eram mulheres. O episódio jogou luz na obscura participação feminina nos horrores do nazismo.


O campo de Ravensbrück se tornou notório por ser o principal local de treinamento das mulheres que atuavam como guardas no Terceiro Reich, conhecidas como Aufseherinnen. Lá elas aprendiam técnicas de abuso psicológico e físico. Irma Grese, conhecida como a “Hiena de Auschwitz” começou sua carreira em Ravensbrück, em 1942. 


O campo também era conhecido por ser administrado quase que completamente pelas Aufseherinnen, sob o comando de Dorothea Binz. Ela foi acusada de atirar, chicotear e ordenar ataques de cachorros contra as prisioneiras. Apesar de as mulheres não serem aceitas como guardas da SS (a brutal polícia secreta de Hitler), elas trabalham como assistentes da corporação. Segundo a escritora Rochelle G. Saidell, a maioria delas vinha da classe média e se tornavam guardas para ganhar status social.
Quando Ravensbrück abriu, o local era relativamente menos brutal que outros campos de concentração. Porém, com o decorrer da 2ª Guerra, as condições começaram a se deteriorar. Para atender as demandas do esforço de guerra nazista, as prisioneiras tinham que trabalhar em condições cada vez mais árduas, com muitas delas chegando a morrer. Setenta e quatro prisioneiras polonesas também passaram por experimentos médicos tenebrosos no local. 


Ao todo, cerca de 130 mil prisioneiras passaram pelo campo de concentração. Entre elas estavam comunistas, acadêmicas e ciganas. Algumas foram presas com os filhos, outras deram à luz em Ravensbrück.  Estima-se que 26 mil das prisioneiras eram judias. Segundo Saidell, eram elas que sofriam os piores tratamentos. Entre 1942 e 1943, elas foram removidas do local, sendo enviadas para Auschwitz e para câmaras de gás em Bernberg.


No final da guerra, os guardas da SS, as Aufseherinnen e pessoas que tinham funções administrativas em Ravensbrück foram presos pelos Aliados. Ao fim do julgamento, 16 pessoas foram consideradas culpadas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Dessas, 11 foram condenadas à morte (sendo que duas cometeram suicídio antes de serem executadas), uma morreu durante o julgamento e quatro tiveram sentenças que variavam entre 10 e 15 anos de detenção. 


Enquanto outros campos se tornaram sinônimos dos horrores do nazismo, a história de Ravensbrück é relativamente desconhecida. Esse esquecimento se deve em parte ao local ter abrigado somente mulheres, mas também porque ele ficava na parte oriental da Alemanha, que após a guerra ficou sob domínio soviético. Por isso, pesquisadores ocidentais praticamente não tinham acesso ao local devido à Guerra Fria. Foi só após a queda do Muro de Berlim que Ravensbrück e o papel das mulheres no nazismo começaram a ser estudados com maior profundidade. 

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