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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O que é a FDN, a facção por trás do massacre no maior presídio de Manaus



Grupo tem mais de 200 mil integrantes e é apontado ela Polícia Federal como o terceiro maior do país


Foto: Marcio Silva/AFP

O massacre no Complexo Penitenciário em Manaus - o segundo maior em presídios no Brasil - é mais um capítulo da disputa de poder entre as maiores facções criminosas do país e revela como o tráfico transnacional de drogas transformou-se em uma atividade organizada por facções. Responsável pelas mortes, a Família do Norte (FDN) é apontada pela Polícia Federal como a terceira maior facção do país, atrás do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), e teria sido criada para conter o PCC.
A facção que chamou a atenção do Brasil e do mundo nesta segunda-feira (2) é resultado da união de dois grandes traficantes, Gelson Lima Carnaúba, o Mano G, e José Roberto Fernandes Barbosa, o Pertuba. Segundo a PF, após passarem uma temporada cumprindo pena em presídios federais, os dois retornaram para Manaus, em 2006, determinados a se estruturarem como uma facção criminosa. O resultado é o grupo que foi alvo da operação La Muralla, em 2015, flagrado movimentando milhões por mês com o domínio da “rota Solimões” - usada para escoar a cocaína produzida na Bolívia e no Peru por meio dos rios da região amazônica.
Embora seja aliada do CV, a FDN nunca aceitou ser subordinada a nenhuma outra organização. No inquérito que deu origem à La Muralla, os investigadores perceberam que o PCC estava “batizando” criminosos amazonenses de modo a aumentar a presença no estado. Essa ação desagradou a FDN, que ordenou a morte de três traficantes ligados à facção paulista.
À época, CV e PCC eram aliados e mantinham negócios juntos, e a FDN estava fragilizada pela Operação La Muralla. Cerca de um ano após iniciar a perseguição ao PCC, e agora com o apoio do CV, a FDN pôs em prática o plano de acabar com a facção paulista no Amazonas.
Tática parecida o PCC já havia empregado em presídios de Roraima e Rondônia, em outubro de 2016. Rebeliões causadas pela guerra entre as duas facções causaram 18 mortes em presídios dos dois estados. Segundo o governo de Roraima, dez detentos foram mortos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, após uma ordem vinda do Rio. Em Roraima, Valdineys de Alencar Sousa, o Vida Loka, líder do CV, e Leno Rocha de Castro, o segundo em comando, estavam entre os mortos.
Investigadores acreditam que integrantes do CV pediram à FDN que executasse integrantes do PCC em Manaus. “Esse massacre foi um choque entre uma facção que se tornou internacional com uma local. O estado não pode admitir que o crime organizado conquiste espaço. Deve reprimir com dureza e não fazer acordos”, disse o procurador Marcio Sérgio Christino.

FDN tem time de futebol e organiza campeonatos


HO/AFP


Além de se vangloriar de comandar uma facção com 200 mil homens cadastrados e com senhas, o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, o Pertuba, não deixava de falar do seu time de futebol, o Compensão. Um dos principais líderes da facção Família do Norte, José Roberto chegou a investir R$ 320 mil reais na equipe para conseguir disputar o campeonato amador amazonense ‘Peladão’.
A FDN, com dinheiro arrecado pela “caixinha” paga pelos integrantes da facção, organizava campeonatos dentro e fora do sistema prisional amazonense e patrocinava seu próprio time.
Segundo a Polícia Federal, em relatório da Operação La Muralla, nos campeonatos internos cada equipe é financiada por uma liderança da FDN. Para os investigadores, a prova da relação da facção com as disputas no sistema prisional são os uniformes “patrocinados” pela lideranças.
No caso do “Compensão”, o time disputa campeonatos amadores oficiais no Amazonas e é de propriedade de Pertuba há cerca de sete anos. Em pouco mais de seis meses de investigações, segundo a PF, “foram interceptadas e analisadas mais de 1 milhão e cem mil mensagens e chamadas telefônicas relacionadas a todo tipo de práticas criminosas” praticadas por integrantes da FDN.
Entre esses mensagens, a PF identificou algumas trocadas entre a advogada Lucimar Vidinha e Pertuba na qual ele afirma que o time do “Compensão” representa a FDN e todo o crime no estado do Amazonas. As mensagem apontam que o escudo da agremiação da organização criminosa estaria nos muros de todas as cadeias amazonenses.
Nos dias de jogo do “Compensão”, diz o relatório da PF, a FDN envia mensagens, conhecidas como “salves”, chamando os integrantes da facção para compareceram aos jogos com faixas com os nomes das lideranças.

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